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Gargalo de produção: o que é, como identificar e gerenciar

Gargalo de produção é o recurso que limita a saída da fábrica. Veja como identificar o gargalo com dados, como gerenciá-lo e por que ele dita o lead time.

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Neste artigo (8 seções)

Gargalo de produção é o recurso cuja capacidade é menor que a demanda que passa por ele e que, por isso, limita o quanto a fábrica inteira consegue entregar. Uma hora perdida no gargalo é uma hora perdida no sistema todo. Identificá-lo com dados e protegê-lo é o primeiro passo para entregar mais, antes de pensar em investimento.

Este conteúdo explica o que é um gargalo, como identificá-lo com dados, por que ele muda de lugar, como gerenciá-lo no dia a dia, como aumentar a sua capacidade, como ele afeta lead time e OTIF e quais erros são mais comuns.

O que é gargalo de produção?#

O que é gargalo, na prática? É o ponto do fluxo em que o trabalho chega mais rápido do que pode ser processado. Como todo pedido que passa por ali precisa esperar, esse recurso define o ritmo de saída da fábrica. Melhorar qualquer outro recurso não aumenta a entrega enquanto o gargalo continuar igual.

A base teórica do conceito, com os 5 passos focantes e o método tambor-pulmão-corda, está no conteúdo sobre Teoria das Restrições. Aqui o foco é o diagnóstico e a rotina de gestão.

Gargalo x recurso com restrição de capacidade#

Nem todo recurso carregado é gargalo. Um recurso com restrição de capacidade é aquele que, em alguns períodos ou para alguns produtos, fica próximo do limite. O gargalo é o recurso que, de forma recorrente, tem menos capacidade do que a demanda exige e por isso limita o sistema. Um recurso com restrição pode virar gargalo se o mix ou a demanda mudarem.

Gargalo físico x restrição de mercado, de material ou de política#

O gargalo físico é uma máquina, uma linha ou um grupo de pessoas com habilidade específica. Os dados mostram quando a restrição está fora dele: se nenhum recurso tem fila crônica e a carteira não enche a capacidade, o limite é o mercado; se as ordens param esperando o mesmo componente, é material; se a fila nasce de lote mínimo ou de meta local, é política. Os tipos de restrição estão explicados no conteúdo sobre Teoria das Restrições. Antes de investir em capacidade, confirme com esses sinais que a restrição é física.

Como identificar o gargalo na fábrica?#

O gargalo deve ser identificado com dados, não com opinião. Os sinais abaixo, lidos juntos, apontam o recurso que limita a fábrica. Um exemplo de painel com esses sinais aparece no vídeo Análise dos gargalos, publicado pela Linter.

Fila e WIP antes do recurso, carga acima da capacidade, recurso sempre ocupado, recurso que define o prazo#

SinalComo medirCuidado
Fila ou WIP antes do recursoContar ordens ou peças esperandoFila pode vir de lote grande, não de capacidade
Carga acima da capacidadeCarga máquina por períodoUsar capacidade real, não nominal
Recurso sempre ocupadoHoras ocupadas x disponíveisRecurso ocupado com produção desnecessária não é gargalo
Recurso que dita o prazoOnde os pedidos atrasados mais esperamConferir por família de produto, porque o mix muda o gargalo

A comparação entre carga e capacidade é o sinal mais objetivo. O cálculo está detalhado no conteúdo sobre carga máquina. Se o mesmo recurso aparece sobrecarregado período após período e sempre tem fila antes dele, ele é o candidato mais forte.

Por que o gargalo muda de lugar?#

O gargalo não é uma característica fixa da máquina. Ele depende do que a fábrica está produzindo.

Mix de produtos, setups, sazonalidade e gargalo flutuante#

  • Mix de produtos. Produtos diferentes usam recursos diferentes por tempos diferentes. Quando o mix muda, a carga se desloca.
  • Setups. Um aumento no número de trocas pode consumir capacidade de um recurso que antes tinha folga.
  • Sazonalidade. Em certos períodos, a demanda de uma família cresce e o gargalo passa para os recursos que ela usa.
  • Gargalo flutuante. Quando dois ou mais recursos têm cargas parecidas, o gargalo alterna entre eles conforme a programação. Nesse caso, a gestão precisa olhar para os dois.

Por isso a identificação precisa ser revista periodicamente, e não feita uma vez só.

Como gerenciar o gargalo no dia a dia?#

Gerenciar o gargalo é uma rotina, não um projeto. O objetivo é garantir que ele trabalhe todo o tempo disponível, no que realmente precisa ser entregue.

Não deixar o gargalo parar: pulmão antes dele, setup preparado fora da máquina, inspeção antes do gargalo, intervalos cobertos#

  • Pulmão antes dele. Manter trabalho suficiente esperando, para que variações nas etapas anteriores não deixem o gargalo sem material.
  • Setup preparado fora da máquina. Separar ferramentas, dispositivos e materiais antes da troca, para que a máquina pare o mínimo possível.
  • Inspeção antes do gargalo. Não gastar tempo do gargalo com peças que já chegam com defeito.
  • Intervalos cobertos. Organizar revezamento em refeições e trocas de turno, para que o recurso não pare junto com as pessoas.

Sequenciar o gargalo primeiro e derivar o resto#

Na programação, o gargalo é definido primeiro. A sequência dele determina quando as etapas anteriores precisam entregar material e o que as etapas seguintes vão receber. Um APS faz isso com capacidade finita, programando o recurso restritivo e ajustando os demais a ele. No ciclo de PCP, essa é uma das decisões mais importantes da programação.

Como aumentar a capacidade do gargalo?#

A pergunta “precisamos de outra máquina?” costuma vir cedo demais. Antes de investir, vale tirar as perdas do recurso que já existe.

Explorar antes de elevar: tirar perdas, depois investir em turno, máquina ou terceirização#

AçãoExemploCusto relativo
Reduzir paradasCobrir intervalos e trocas de turnoBaixo
Reduzir setupPreparar a troca fora da máquinaBaixo
Evitar refugo no gargaloInspecionar antes deleBaixo
Desviar trabalhoUsar roteiro alternativo em outro recursoMédio
Hora extra ou turno adicionalAumentar o tempo disponívelMédio
Terceirizar parte da cargaEnviar operações para foraMédio
Nova máquinaInvestir em capacidadeAlto

As perdas do equipamento, como paradas, pequenas paradas e refugo, aparecem no OEE. No gargalo, esse indicador merece atenção especial, porque cada perda ali vira perda para a fábrica inteira.

Como o gargalo afeta o lead time e o OTIF?#

O gargalo é onde o pedido mais espera. Por isso ele define, em grande parte, quanto tempo o pedido leva e se chega no prazo.

A fila no gargalo domina o tempo do pedido#

O pedido passa pouco tempo sendo processado e muito tempo esperando. A espera mais longa do lead time costuma ser a fila do gargalo. Quando a carga do gargalo passa da capacidade, a fila cresce, o lead time aumenta e as entregas atrasam. O OTIF cai porque os prazos foram prometidos sem considerar essa fila.

Reduzir a fila no gargalo, seja aumentando a capacidade efetiva, seja liberando apenas o que ele consegue processar, é a forma mais direta de encurtar o lead time e melhorar o OTIF.

Quais erros comuns na gestão do gargalo?#

Os erros mais frequentes vêm de tratar todos os recursos da mesma forma.

Medir eficiência em todas as máquinas, liberar material demais, achar o gargalo só pela opinião, mudar o gargalo sem perceber#

  1. Medir eficiência em todas as máquinas. Exigir que todo recurso fique ocupado o tempo todo enche a fábrica de material parado e esconde onde a perda real acontece.
  2. Liberar material demais. Encher a fábrica de ordens não aumenta a saída. Só aumenta a fila e o lead time.
  3. Achar o gargalo só pela opinião. O recurso que mais reclama ou que mais aparece nas reuniões nem sempre é o que limita a entrega.
  4. Mudar o gargalo sem perceber. Uma melhoria bem-sucedida pode deslocar o gargalo para outro recurso. Sem uma revisão periódica, a equipe segue dando prioridade a um recurso que já não limita a entrega.

Perguntas frequentes#

Toda fábrica tem um gargalo?#

Toda fábrica tem uma restrição, mas nem sempre ela é um gargalo físico: o limite pode estar no mercado, em material ou em uma política interna.

O gargalo é sempre uma máquina?#

Não. Também pode ser um grupo de pessoas com habilidade específica. Quando o limite é material, política ou demanda, o mais correto é falar em restrição.

Como saber se o gargalo mudou de lugar?#

Acompanhe onde a fila cresce e onde os pedidos atrasados esperam, por família de produto.

Hora extra no gargalo vale a pena?#

Costuma valer mais do que em outros recursos, porque cada hora ganha no gargalo aumenta a saída do sistema.

O OEE ajuda a encontrar o gargalo?#

Ajuda a ver perdas, mas o gargalo se identifica pela relação entre carga e capacidade.

Qual a relação entre gargalo e lead time?#

A fila no gargalo costuma ser a maior parte do tempo que o pedido passa na fábrica.

O Drummer APS, da Linter, é um software de planejamento e programação da produção baseado na Teoria das Restrições, com programação em capacidade finita.


Escrito por Linter Sistemas

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